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O Vale do Silício

Em primeiro lugar, gostaria de desculpar-me pelo longo período sem postagens. Como diria Rafel Oliveira, enfrentei um bloqueio criativo na seleção dos temas, segiuido do retorno as aulas.
Mas, embalado pelo ainda recente lançamento do telefone faz-tudo da Apple, o iPhone, resolvi pesquisar e escrever um pouco sobre o Vale do Silício, nos Estados Unidos.

O que é silício?

Se você alguma vez estudou química, sabe que é um elemento químico, cuja sigla é Si, muito abundante na superfície terrestre. Além de estar presente na preparação do silicone e do cimento, também é muito utilizado na industria eletrônica e microeletrônica, na fabricação dos transistores para chips.
Os transistores são componentes, popularizados há cerca de cinqüenta anos, que atuam na amplificação e transferência dos sinais elétricos. São considerados os responsáveis pela decorrente evolução dos aparelhos eletrônicos, já que, com custo baixo e produção simples, desencadeou a redução do tamanho necessário para que grandes equipamentos fossem produzidos. Hoje, chips microscópicos são produzidos pelo encadeamento de milhares de transistores, através dos avanços da Nanotecnologia.
Como diz meu pai, são por esses novos métodos que hoje não tem o menor sentido o conserto de aparelhos eletrônicos. Antigamente, uma TV quebrava, uma válvula era trocada e o problema se resolvia. Hoje, apenas através de avançados equipamentos a laser isso seria possível.

O Vale só tem o silício?

Sem dúvida alguma, não. Não seria o maior centro mundial de empresas de tecnologia se apenas tivesse, mesmo que em abundância, a matéria-prima. A presença de renomadas universidades, creio eu, é o principal combustível das empresas que sobrevivem de idéias.
Quem teria melhores planos para a criação de inovações que um universitário? Sempre foi assim, e sempre será. Quem respira o ar do futuro, quem enxerga a evolução antes de todos, quem tem força de vontade e ousadia, somadas a inteligencia, são os universitários. São eles que, a qualquer momento, podem se reunir em uma garagem e transformar o mundo, para sempre. Assim foi com a HP e, posterioremente, com a Apple.
E na região do vale, não há nada mais que quatro grandes universidades, incluindo a Stanford University (onde se conheceram os criadores da HP e também os da Yahoo!), e mais algumas, nas redondezas, como a Universidade Berkeley da Califórnia.
Porém, não é certo dizer que as maiores criações técnológicas dos últimos anos vieram de lá. Seguindo a filosofia da globalização, os gênios revolucionários não nasceram no Silicon Vlley. Muitas vezes, consagraram-se com a criação de seus grandes projetos em qualquer lugar do mundo. A World Wide Web, por exemplo, foi idealizada na Suíça pelo inglês Tim Berners-Lee. Nem sempre a filosofia da região é criar. Muitas vezes, trata-se de aprimorar. Se não foi no Vale que esses “gênios revoluçionários” nasceram, será lá onde seus sucessores se encontrarão.

Unindo o útil ao agradável

Matéria prima abundante e mão-de-obra qualificada somadas ao investimento bilionário só poderiam resultar na implantação de pequenas empresas na área, tais como: Intel, Apple, eBay, Nasa, HP, Sun Microsystems e Oracle. Ah! Já ia me esquecendo de uma tal de Google que apenas irá dominar o mundo em um futuro próximo.

Os cérebros das empresas

Ser uma das maiores empresas do mundo, privilegiada por ocupar a visada área do Vale do Silício, significa ter concorrentes e necessitar de inovações a todo instante. E é esse instinto competitivo que move a classe trabalhista do local, acelerando as (r)evoluções tecnológicas que refletem por todo o mundo.
Proporcionar um ambiente de trabalho agradável é uma estratégia adotada para estimular a criatividade dos funcionários. E, é claro, isso funciona. Não há paredes que separam em escritórios os diversos setores da Google, por exemplo. Isso cria uma maior interação entre os colegas de trabalho, que resulta na troca de informações e opiniões e, consequentemente, na elaboração de projetos mais sofisticados. Além de tudo, uma parte do tempo de trabalho, na Google, pode ser dedicado a projetos pessoais. Assim, o funcionário tem muitos motivos para mostrar-se útil e garantir sua permanência no emprego. Sem levar em consideração o salário, que, acredito, não seja dispensável.
Afinal, eles merecem todo esse privilégio. Ser contratado por quem mais cresce economicamente no mundo não deve ser fácil. E ficará mais difícil ainda quando o projeto de selecionar pessoal através de um algorítimo for concluído.

Classe Criativa

Há uma recente denominação dada a classe trabalhista que necessita, a todo momento, inovar para sobreviver: classe criativa. Basta ter uma mente insana, produtivamente a frente de todos, para garantir salários altos pelo resto da vida.
Hoje, em um ambiente profissional tal como uma empresa grande do Vale do Silício, nada é impossível. Uma idéia que faça os outros dizerem “Puxa, por que não pensei nisso antes?” e o apoio de uma equipe de profissionais a sua disposição seria suficiente para deixar seu nome escrito para a história.
Estima-se que, atualmente, 1/3 dos trabalhadores do mundo encaixam-se na classe criativa. Criar ou modificar? Inovar ou aprimorar? Copiar ou revolucionar? Não se sabe ao certo a receita do sucesso. O que teve bom resultado com um, nem sempre terá o mesmo efeito com outros.
Transações bilionárias acontecerão, mudanças drásticas na forma de se pensar em Internet também. Mas, a história não muda: os conservadores perderão seu espaço para quem apostou na novidade. Uma nova hierarquia será criada e um novo grupo de jovens amadores, sem grandes pretenções, reiniciarão o processo. Eis o infinito ciclo vicioso capitalista da tecnologia.

Bibliografia

Revista Veja, edição 1991
http://pt.wikipedia.org/wiki/Silício
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vale_do_Silício
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transistor
http://www.engr.sjsu.edu/cmpe/images/Silicon%20Valley.gif
http://www.janelanaweb.com/digitais/mito.html