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Sobre TV e Crianças

Atingido por uma forte e inesperada gripe, passei os dois últimos dias em repouso. Hoje, já em recuperação, consegui levantar da cama um pouco mais cedo para aproveitar ao máximo a pausa forçada na escola.

Tomo meu café da manhã e aproveito para ligar a televisão: “Desenhos! Há quanto tempo não os vejo! Nada melhor que uma gripe e um dia frio para ter um momento nostálgico”, pensei, já que cresci me divertindo todas as manhãs por alguns clássicos, como o Rei Babar, Tintin, Doug, O Máscara, Homem-Aranha, entre outros.

Animado, ligo na Rede Globo e, para minha surpresa, os imortais Power Rangers estão presentes em mais uma de suas infinitas temporadas. E, mesmo com alguns poucos novos efeitos especiais, o enredo continua idêntico ao que sempre foi: um novo monstro criado destroi a cidade; os rangers lutam e apanham; rangers lutam outra vez e ganham; o monstro triplica seu tamanho; rangers apanham; o renomado robô Megazord salva a cidade. Menos surpreendente que Lessie.

Mesmo assim, esperava uma evolução maior dos atuais episódios em comparação aos de dez anos atrás.

O desenho seguinte eu desconhecia, mas me animei pelos bons gráficos que apresentava. Todo feito em ambientes 3d, com belas imagens e personagens muito bem desenhados. Porém, uma história infantilóide, que chegaria a ser considerada uma ofensa às criancinhas telespectadoras do programa. Este é um paradigma, que já existia em minha época, de que quanto melhores forem os gráficos, piores serão os desenhos. Achei que não fosse mais válido para os dias atuais, mas concluí que ainda faz todo o sentido.

Resolvo trocar de canal e, no SBT, encontro duas crianças idiotas apresentando o programa que um dia teve Eliana (tá bom, não é lá grande coisa) no comando. É a terceira tentativa da emissora de criar um programa de crianças para crianças. Na primeira vez, o casal conhecido como Jéssica e Kauê mostrou todo seu péssimo potencial artístico, fracassando e rendendo ódio em todos os espectadores com o mínimo senso de ridículo. A segunda tentativa fracassou igualmente, sem mais detalhes. E a terceira, atual, que conheci hoje, é tão ruim que terei de resumir os defeitos em péssima atuação, competições extremamente sem-graça e falta de naturalidade. Alguns bons desenhos, creio eu, os salvam da demissão, por fazê-los alcançar alguma audiência.

Me recordo que um dia foi publicado, em uma edição da Revista Veja, a teoria de que o nosso Q. I. tem aumentado, de geração em geração. O estudo dizia que uma das tendências mais perto de ser comprovada era de que as pessoas nascidas nas décadas de 80 e 90 eram mais inteligentes do que as que nasceram em 50, 60 ou 70. E assim ocorreria um ciclo evolutivo. O motivo? A criança dos anos 50 brincava na rua, nadava nos lagos, subia nas árvores, etc. A dos anos 90, passou a assistir televisão, mexer em computadores e a jogar videogames. Tudo faz sentido até então: a criança do presente é desde cedo mais estimulada a raciocinar. Por outro lado, a do passado, sem sombra de dúvidas, era mais saudável e, arrisco, mais feliz.

Apenas fico impressionado, me perguntando como a televisão pode ajudar tanto no desenvolvimento da lógica de uma criança. Se a TV aberta voltada para o público infantil exibe programas como o daqueles dois idiotas apresentadores mirins, as crianças têm todo recurso para crescerem 10x menos inteligentes que seus pais. Isso sem contar as crianças americanas, que são as únicas no mundo capazes de se divertir com o Barney. No Brasil ainda temos a Xuxa que, há muitos anos, conseguia ser divertida, animada, engraçada. Hoje, do meu ponto de vista, é um fracasso.

E muitas dúvidas, então, permanecem: a criança de hoje realmente será um adulto mais inteligente? A tendência realmente será diminuir a saúde e aumentar a lógica? Programas feitos por crianças para crianças ajudam no desenvolvimento? Barney é melhor que Tem & Jerry? Isso, caros amigos, só o futuro nos dirá.