Mãee, a professora me pegou no YouTube

– Crianças, agora vou passar a vocês a tarefa de casa: cada um de vocês deverá criar uma redação, sobre a matéria aprendida hoje, e publicá-la em seu blog. No mínimo 15 linhas, em Verdana, tamanho 12 pixels.
– Professora, é pra quando?
– Amanhã, pouco antes de começar as aulas, atualizarei meus Feeds dos blogs da classe. Agendarei uma conversa no Google Talk com os pais dos alunos que não tiverem feito.
– Vale nota, fessora?
– Vou corrigir e dar nota através de um comentário. Os autores dos cinco melhores textosterão seus blogs adicionados ao meu del.icio.us, o que conta como ponto positivo.

Através desse diálogo que criei, tentei representar o valor que os blogs e, sobretudo, a Internet terão na educação, em alguns anos.
Na minha quarta série do ensino fundamental, vivenciei algumas experiências com a interação da educação com a informática. Lições on-line eram freqüentemente publicadas no site da minha escola. Nós, os alunos, deveríamos ir até lá, ver o que deveria ser feito e entregar, no dia seguinte, uma folha com as respostas.
Mas então vinham os problemas:

  1. A maioria não tinha banda larga, nem todos tinham acesso a Internet e alguns nem um computador possuíam (Era Pré-lan-housica);
  2. Receber a tarefa on-line e entregá-la off-line, em um papel qualquer, não fazia sentido algum. Totalmente contraditório;
  3. Era extremamente trabalhoso entrar no site, logar-se e achar o ítem “tarefas”, para muitos que ainda estava iniciando sua caminhada rumo a inclusão digital.

Talvez por esses motivos essa prática tenha durado apenas um ano na minha antiga escola. Mas, apesar de muito mal pensado, o projeto tinha uma certa visão futurista. Transporte-o para o futuro, daqui a quinze, dez, cinco anos. Todos os alunos já teriam nascido lendo blogs, mexendo no Photoshop e jogando Ragnarok. Ninguém teria problemas com a Internet (que já teria o seu nome alterado para Google Internet Beta).
Com um pouco de imaginação e um bom planejamento, escolas poderiam ser criadas baseadas nesses princípios. Poderiam ser criadas? Poderão! Serão! Na verdade, são! Imaginem como seria assistir aulas por videoconferências, trocar seu caderno por seu Notebook, abrir o MSN ao invés de mandar bilhetinhos, …
E você, o que acha desse assunto? Adoraria ler algumas opiniões a respeito.

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7 comments so far

  1. issamu on

    Creio que não é preciso esperar muito tempo para termos essa metodologia. Hoje, na era lan-housica, onde os próprios colégios disponibilizam, ainda que precários, computadores para seus alunos utilizarem, isso é possível. Só falta um pouco de visão dos nossos professores. Álias, não sei como não criaram uma matéria para dar introdução a era digital, ou já existe?

  2. Ed on

    Humn.

  3. melo on

    Obrigado pela visita e pelo comentário. E parabéns pelo blog. Mesmo tendo por enquanto só 2 textos muito bem escritos, prevejo um futuro promissor.

    Mas vai pensando em encaixar uma coluna lateral aí no leiaute. Daqui a pouco vais sentir falta desse espaço, vai por mim 😉

    []s
    melo
    http://verdadeabsoluta.net

  4. Rafael Oliveira on

    No japão foi aberto, recentemente, cursos superiores completamente online.

    Quando eu fiz o ensino médio e fundamental, “nem existiam” essas possibilidades, embora eu já conhecesse bem esse mundo mágico, ele passava longe da realidade de muitos e nem se quer era debatido. Já meu irmão, cursando a 5ª série, tem um sistema parecido com esse. Os alunos podem pegar as matérias e tarefas do dia no site da escola, além de poderem conferir notas e outras coisas. Mesmo hoje, isso deve ser um pioneirismo para escolas.

    Sobre cursos de inclusão digital, algumas escolas, na maioria particulares, devem ter como matéria opcional, mas devem ser uma minória. O modelo de ensino brasileiro precisa de um reestruturação.

    E eu me pergunto se isso aumentaria ou diminuiria o rendimento dos alunos. Qual será?

    A propósito, excelente texto. “Feedado para testes” =)

    Abraços.

  5. julio almeida on

    Quando eu entrei na faculdade de engenharia em 1996 fui brindado com a notícia de que a faculdade havia aposentado todas as pranchetas dois anos antes e que todas as aulas de desenho tecnico eram em Autocad. No primeiro ano usavamos folhas A4 e reguas comuns para aprender os conceitos de desenho em metade das aulas, na outra metade aprendíamos a usar o Autocad, cientes de que para o segundo ano não haveria instrução de Autocad, mas que seria requerido para todas as matérias.

    Fiquei surpreso ao saber que muitas matérias requeriam que as provas e trabalhos fossem simplesmente salvos no diretorio da classe (devidamente protegidos contra apagamentos “acidentais”), com meu numero de matrícula.

    Fiquei surpreso ao ver que nosso laboratório de física e de telecomunicações era tão avançado que os técnicos do sistema telebrás vinham para serem qualificados ali.

    Sim, é uma faculdade particular, cara, mas pelo que oferece é barata. Pude estudar lá de graça pois minhas notas no segundo grau e desempenho no trabalho assim o permitiram.

    Peço aos céus que tenhamos um governo menos paternalista e apadrinhador, que recompense os que se esforçam e desfaça o sonho de que universidades públicas “gratuitas” são a solução.

    A solução é uma viva economia de mercado, onde profissionais se esmeram por fazer um bom trabalho e serem recompensados por isso. Em todas as áreas.

    Rezo por um provão “de verdade” que permita intervenção ou fechamento de faculdades que não apresentem resultados.

    Rezo por vestibulares todos os anos na escola, que excluam aqueles que não tem interesse ou condições de estudar e permita que os que se aplicam sejam recompensados por isso.

    Grato

  6. Stylesson Menezes on

    Vocês tem mais idéias como essas?

  7. Karlisson on

    Seria uma boa esse modelo de ensino…tive uma experiência parecida, mas apenas complementar à sala de aula tradicional. Só fui estudar na frente de PCs num curso técnico de Desenvolvimento Web. E foi o melhor aprendizado da minha vida!


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